20.6.09

julieta ao mar

Não quero mais o amor do peixe gelado: essas, as últimas palavras. E se houvesse trinta segundos? Tanto faz, ela morreria no trigésimo primeiro. Mais doze horas, talvez? Não, não. Seria a metade de um dia, tudo o que ela detestava, metade. Vamos acompanhá-la em silêncio, então (mas vocês não sabem o que ela achava do silêncio?). Ela estava procurando uma pérola, justificaram respeitosamente. Gente idiota, foi só curiosidade, foram as guelras. Eu sei, porque me aproximei e ouvi sua confissão tenra e branca como carne de peixe. Vi seu sorriso flutuante.

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