Estou caindo nessa conversa, porque sou turista. As meninas são assim, que pena. E a regra é tão clara. É como água, e a água nem é clara, é transparente. Como o lago que vi, numa caverna no então distante Mato Grosso. O guia falou assim: vê, é quase azul, é muito limpa, a água. Mas eu sei que água nenhuma é azul. Só que ele dizia - é a mais limpa, é branca. Ah, branca, que besteira! A areia ao fundo é branca, isso sim, e é fininha, pensei. Eu posso tocar, é só enfiar o braço na água gelada azul sem peixe. Bastando arregaçar um pouco a manga da blusa. Mas o fundo, diz o guia, são pelo menos quinze metros. E sob ele, debaixo dessa areia inocente, há lençóis freáticos, e se alguém mergulhar - ali - a corrente subterrânea é tão forte que leva essa pessoa embora. Leva mesmo. Água água areia areia pedra pedra. Leva para dentro do mundo dos lagartos gigantes e dos meninos que não me amam. No fundo é areia movediça, exclamei, numa iluminação. Não, nada disso. Areia movediça não existe. Mas eu vi. Mas não. Só tem em Terra dos Gigantes: que decepção. Mas é lá que eles somem, os meninos, na areia fina, nos quinze metros, onde a mão não alcança. Como é que eles somem se a água é tão clara? Não, nem é só clara, ela é limpa, é transparente.
28.4.09
o guia de meninos e meninas
Estou caindo nessa conversa, porque sou turista. As meninas são assim, que pena. E a regra é tão clara. É como água, e a água nem é clara, é transparente. Como o lago que vi, numa caverna no então distante Mato Grosso. O guia falou assim: vê, é quase azul, é muito limpa, a água. Mas eu sei que água nenhuma é azul. Só que ele dizia - é a mais limpa, é branca. Ah, branca, que besteira! A areia ao fundo é branca, isso sim, e é fininha, pensei. Eu posso tocar, é só enfiar o braço na água gelada azul sem peixe. Bastando arregaçar um pouco a manga da blusa. Mas o fundo, diz o guia, são pelo menos quinze metros. E sob ele, debaixo dessa areia inocente, há lençóis freáticos, e se alguém mergulhar - ali - a corrente subterrânea é tão forte que leva essa pessoa embora. Leva mesmo. Água água areia areia pedra pedra. Leva para dentro do mundo dos lagartos gigantes e dos meninos que não me amam. No fundo é areia movediça, exclamei, numa iluminação. Não, nada disso. Areia movediça não existe. Mas eu vi. Mas não. Só tem em Terra dos Gigantes: que decepção. Mas é lá que eles somem, os meninos, na areia fina, nos quinze metros, onde a mão não alcança. Como é que eles somem se a água é tão clara? Não, nem é só clara, ela é limpa, é transparente.
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