31.12.08

vigília



outra mão escolhe um objeto imprescindível e o atira ao lixo

enquanto a espera arde
outras pernas dão voltas no ninho na madrugada aberta
não sou eu quem erra pelo caminho que a espera guarda
não é minha a mão que colhe uma pedra e acaricía o veludo
não é possível
outro corpo inquieto na órbita de um corpo inquieto espreita
e revolve sem cuidado as minhas coisas
os móveis ao redor ficam azuis
as fotos da família brilham
objetos diabólicos
não sou eu quem está riscando com gelo as paredes
os minutos se provocam com fúria
uma hora completa é a emboscada da hora seguinte

Um comentário:

  1. nox ruit, Aenea; nos flendo ducimus horas

    E não fossem poetas a vigiar desesperadamente os minutos, a noite avançaria para sempre e nunca mais haveria amanhecer.

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